domingo, 25 de setembro de 2011
Desaviso
Frequentava saraus de poesia/
na verdade,/
a poesia o frequentava/
e se atracavam /
despudoradamente/
por toda a via/
e era assim/
que a poesia o arrebatava/
Costumava chamar sinestesia/
a esse fogo/
que a poesia lhe ateava/
e se atiravam/
irresponsavelmente/
a barda vida/
e era assim/
que a poesia o acostumava/
E certa noite,/
enquanto a lua os deslumbrava/
deixaram portas e janelas/
descerradas/
e em calmaria inesperada/
algo passou.../
e assim,/
furtivo e silencioso,/
o amor entrava/
Passado o espanto/
e o desconforto iniciais/
que aquele intruso inoportuno
lhes causava/
Firmaram um tácito e equânime acordo:/
entre o homem e a poesia o amor ficava./
E as cores-sons-perfumes-gostos
usuais/
naquele instante/
se metamorfosearam/
ganharam novo significado/
e, então/
a imensidão e a opulência
procriaram/
Mas foi num desanoitecer
de cama farta/
entre silêncio e
inquietude solitária/
Que o homem acorda
e um branco céu desavisou/
Fugiram o amor e a poesia.../
não há mais nada.
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1 comentários:
Que lindo, Huguera! Que saudades de vc man!
bj
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